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terça-feira, 15 de junho de 2010

Um Ato de Amor !


Todo mundo sabe que nossa vida não é um conto de fadas, onde só coisas lindas e maravilhosas acontecem.

Já fazem 2 semanas que estou sendo bombardeadas com notícias que me afetam direta ou indiretamente, ainda mais quando machuca e entristece pessoas que amo e que estão no meu convívio.

Uma história me marcou em especial. A de uma vizinha minha chamada Cristiane.

Moro em um prédio na Zona Norte de São Paulo a pelo menos 23 anos, conheço essa minha vizinha a aproximadamente esse mesmo tempo, no começo tínhamos um contato um pouco maior, minha irmã mais do que eu, pois já que tem a mesma idade, na época saiam, iam pra balada. O tempo foi passando e por desencontros nos afastamos e só nos encontrávamos basicamente na garagem ou no elevador do prédio.

A algum tempo atrás, soube que a Cristiane estava com alguns problemas de saúde “Câncer de Mama”, sempre quando encontrava ela ou sua mãe procurava saber como ela estava, porem algum tempo antes de começar a quimioterapia ela teve uma notícia que mudou sua vida, ela estava grávida.

Com 38 anos, como sua vontade de ser mãe era grande, ela decidiu que ao invés de fazer a quimioterapia ela teria o bebê. Uma decisão difícil de se tomar, já que poderia colocar sua saúde em risco se não fizesse o tratamento.
Alguns meses se passaram e ela teve uma Linda menina chamada Mariana, a Cris amamentou a Mariana com uma única mama e deu todo seu amor a essa menina linda que hoje tem quase 2 anos de idade.

A alguns meses a Cris descobriu que seu ato de amor, de gerar uma vida ao invés de fazer seu tratamento se transformou em algo que ela estava ciente que poderia acontecer. Seu câncer evoluiu rapidamente se espalhando para outros órgãos
A Cris faleceu na sexta feira passada com 40 anos.

Não tenho filhos, não sei como é esse sentimento tão sublime que é o de ser mãe, achei esse gesto de amor tão imenso, pois a Cris abdicou sua vida para dar vida a uma outra, a vida da Mariana. Prova de amor maior que esta não existe !

“Mãe: Palavra pequena, mas com um significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, renúncia a si própria, força e sabedoria.”

Postado por Diana

OBS* Se alguém quiser ver, tem um vídeo de uma entrevista que a Cris deu no Fantástico no início de Abril.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Terceiro Filho



Para quem já tem e para quem pretende ter!

Como diz o ditado:

O 1º filho é de vidro,
o 2º é de borracha,
do 3º para frente é de ferro!


A ORDEM DE NASCIMENTO DAS CRIANÇAS
*Irmãos mais velhos têm um álbum de fotografia completo, um relato
minucioso do dia que vieram ao mundo, fios de cabelo e dentes de leite
guardados. Já os caçulas penam para achar fotos do primeiro
aniversário e mal sabem a circunstâncias em que chegaram à família


O QUE VESTIR
*1º bebê -* Você começa a usar roupas para grávidas assim que o exame dá positivo
*2º bebê -* Você usa as roupas normais o máximo que puder
*3º bebê -* As roupas para grávidas SÃO suas roupas normais


PREPARAÇÃO PARA O NASCIMENTO
*1º bebê -* Você faz exercícios de respiração religiosamente
*2º bebê -* Você não se preocupa com os exercícios de respiração,afinal lembra que, na última vez, eles não funcionaram
*3º bebê -* Você pede a anestesia peridural no oitavo mês


O GUARDA-ROUPAS
*1º bebê -* Você lava as roupas que ganha para o bebê, arruma de acordo com as cores e dobra delicadamente dentro da gaveta
*2º bebê -* Você vê se as roupas estão limpas e só descartas aquelas com manchas escuras
*3º bebê -* Meninos podem usar rosa, né?


PREOCUPAÇÕES
*1º bebê -* Ao menor resmungo do bebê, você corre para pegá-lo no colo
*2º bebê -* Você pega o bebê no colo quando seus gritos ameaçam acordar o irmão mais velho
*3º bebê -* Você ensina o mais velho a dar corda no móbile do berço


A CHUPETA
*1º bebê -* Se a chupeta cair no chão, você guarda até que possa chegar em casa e fervê-la
*2º bebê -* Se a chupeta cair no chão, você a lava com o suco do bebê
*3º bebê -* Se a chupeta cair no chão, você limpa na camiseta e dá novamente ao bebê


TROCA DE FRALDAS
*1º bebê -* Você troca as fraldas a cada hora, mesmo se elas estiverem limpas
*2º bebê -* Você troca as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário
*3º bebê -* Você tenta trocar a fralda antes que as outras crianças reclamem do mau cheiro


ATIVIDADES
*1º bebê -* Você leva seu filho para as aulas de musicalização para bebês, teatro, contação de história...
*2º bebê -* Você leva seu filho para as aulas de musicalização para bebês
*3º bebê -* Você leva seu filho para o supermercado, padaria...


SAÍDAS
*1º bebê -* A primeira vez que sai sem o seu filho, liga cinco vezes paracasa para saber se ele está bem
*2º bebê -* Quando você está abrindo a porta para sair, lembra de deixar o número de telefone de onde vai estar.
*3º bebê -* Você manda a babá ligar só se ver sangue


EM CASA
*1º bebê -* Você passa boa parte do dia só olhando para o bebê
*2º bebê -* Você passa um tempo olhando as crianças só para ter certeza que o mais velho não está apertando, beliscando ou batendo no bebê
*3º bebê -* Você passa um tempinho se escondendo das crianças


ENGOLINDO MOEDAS
*1º bebê -* Quando o primeiro filho engole uma moeda, você corre para o hospital e pede um raio-x
*2º bebê -* Quando o segundo filho engole uma moeda, você fica de olho até ela sair
*3º bebê -* Quando o terceiro filho engole uma moeda, você desconta da mesada dele.


Agora me diz,quem já passou do segundo filho...é ou não é parecida essa história??

Até a próxima pessoal,sei que deixei voces com a pulga atras da orelha e irão continuar..hahahahaha

Amei este texto,obrigada Afrodite...

Postado por Gabriela

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vinte Minutos no Inferno


Neste domingo eu passei por uma experiência que não desejo a ninguém, nunca: eu perdi meu filho. Pior do que perder seu filho é saber que você o perdeu dentro de casa, embaixo dos olhos, o que é ainda mais improvável.
Eu sei que você não está entendendo nada, então vou explicar.

Para quem ainda não sabe, eu mudei de um aPERtamento para uma casa. Estou morando na casa da minha mãe, que é bem grande. Isso nos trouxe algumas coisas boas, como a economia, a praticidade e claro, o espaço. E meu filho está aproveitando muito bem o espaço. Ele passa o dia no quintal, jogando bola e andando de bicicleta, coisas que eram proibidas dentro do apê.
Pois bem, no domingo pela manhã eu estava na sala, mexendo no computador, meu marido estava lá em cima no quarto dormindo e minha mãe, nos fundos, mexendo em alguma coisa na lavanderia. E o Vinícius? Ele estava andando de bicicleta no quintal.
Eu fui lá fora, falei com ele e entrei. Cerca de 20 minutos depois, meu avô chegou e perguntou por ele. Eu disse que estava no quintal ou lá atrás com a minha mãe. Nisso entra minha mãe, perguntando também por ele. Começa a saga: cadê o Vinícius? Tudo bem que uma casa é maior que um apartamento, mas vá lá, é só uma casa, não uma mansão, pelamor.
Eu saio no quintal e chamo por ele, olho embaixo do carro. Nada.
Entro em casa, olho embaixo do sofá. Nada.
Abro as gavetas da estante, arrasto sofás, chamo por ele. Nada.
Embaixo da mesa, embaixo da escada, dentro do banheiro, atrás da porta. Nada.
Comecei a ficar preocupada.
Abri todos os armários da cozinha, até o forno. Como não tinha nem sinal dele, subi para os quartos. Olho embaixo das camas, atrás das portas, dentro dos banheiros, enfim, repito o ritual. Nada.
Enfim, bateu o desespero.
Ainda de pijama, afinal, era 9h00 da manhã, saio na rua, com minha mãe e meu avô, para procurá-lo. Acostumados que estávamos com apartamento, a primeira coisa que nos vem à cabeça é: ele foi brincar na rua. Nesta hora a gente nem pensa em como ele abriu o portão sozinho.
Quando esta ficha cai você se desespera mais ainda: ele não abriu sozinho, ele não conseguiria! Alguém abriu para ele e o levou!
Nisso, minha mãe já está batendo de porta em porta aqui na rua, falando com os vizinhos, perguntando se o viram. O vizinho do lado, que estava na rua, afirma que não viu o Vinícius sair de casa. E eu, de pijama, estava indo de um lado para o outro na rua, chamando pelo nome dele.
Entro em casa e decido sair com o carro. Se alguém o levou, não deve estar longe. Abro o carro, olho dentro e nada. Só então eu lembro do meu marido dormindo. Ele não sabe de nada ainda.
Subo apavorada e o acordo assim: “Leandro, o Vinícius sumiu!”
Ele, óbvio, entre o acordar e o entender, fica assustado e desce na hora. Quando eu vou abrir o portão para tirar o carro, o Leandro abriu o carro. Ele não olhou como eu, ele abriu o porta-malas.
E lá estava o Vinícius, agachado. E quando viu o Leandro, disse: “pai, você me achou!”


Não posso descrever os sentimentos deste momento. Juro, me faltam palavras. Foi uma mistura de alívio com raiva. Antes de qualquer coisa eu fui pra rua, chamar minha mãe, que já estava lá na ponta, avisando outra vizinha. Depois, entrei no quintal, peguei o Vinícius pelo braço e, confesso, dei uns bons tapas na sua bunda sem fraldas. Eu queria que ele sentisse a dor que eu estava sentindo. Que ele entendesse a gravidade do que havia feito. Irracional, claro. Mas, na hora, minha única opção. Depois de ficar louca com ele, eu o segurei forte, mas tão forte e abracei. E aí, não deu, comecei a chorar. Nisso entra minha mãe em casa, aos prantos. Ela olha para ele diz:
- “Vou matar você!” E logo depois o abraça e fica chorando.

Então, depois, mais calmos, perguntei:
- Filho, você não ouviu a mamãe te chamar?
- Ouvi.
- E porque você não respondeu?
- Por que eu tava escondido, mãe!


E só então eu entendi: quando ele estava no quintal, ele me viu ir abrir o carro para pegar a bolsa. Ele viu que eu não fechei. E, como temos um modelo tipo wagon, por dentro do carro mesmo é possível ir para o porta-malas. E foi o que ele fez.
Se este processo todo durou vinte minutos, foi muito. Mas foram os mais longos da minha vida. Nestas horas passa um filme na sua cabeça e você fica lembrando de todas aquelas matérias sobre desaparecidos que já viu na vida. Difícil descrever a sensação do desespero. É como se o seu chão estivesse ruindo. No domingo eu nem bem tinha acordado e já tinha vivido meus vinte minutos no inferno. Que eu sinceramente não desejo nem para os inimigos.


Postado por Denise Lugli

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Uma década de amor.


Há exatos dez anos, nesse mesmo horário - 20h10 - eu estava sentindo o primeiro aviso de que meu filho estava chegando. Foi engraçado, assustador, dolorido. Não era a hora porque ainda faltavam, pelo menos, uns 25 dias para o parto.

Na hora entrei em pânico: liguei para a médica e ouvi para eu aguardar as próximas contrações e, se começassem a vir cada vez menos espaçadas, era pra eu correr para a maternidade.

E assim foi feito. Às 5h30 da manhã do dia 23 de fevereiro eu dei entrada no Santa Joana. Às 8h48 o Lucca nasceu de cesariana, com 36 semanas de uma gestação muito tumultuada. A começar pelo princípio da própria história. Engravidei de um moço que eu estava ficando havia três meses apenas.

Foi um susto, um baque. Um mix de revolta (com direito a pergunta "por que eu??), com tristeza, com muito medo. Tudo foi complicado desde o início - contar para meus pais, ter a "anuência" do pai da criança, encarar familiares, amigos e paqueras. Naquele momento achei que minha vida tinha acabado ali.

Até que aos dois meses começou a fase mais crítica do processo porque passei a ter sangramentos como se fossem menstruação. Na primeira situação corri para o hospital mais próximo da minha casa e entre um exame e outro, pude ouvir pela primeira vez o coraçãozinho dele batendo. Acreditem: ressucitei naquele momento e decidi que brigaria a todo custo pela chegada dele.

E assim o fiz, mesmo diante de todos os dissabores que foram aparecendo pelo caminho. E olha que não me faltou obstáculo! Desde dos meus pais que simplesmente não falavam direito comigo, amigos que viraram as costas, emprego que minguou porque era freela, e o próprio pai da criança que foi me largando aos poucos e ficando com outras meninas sem se importar se eu saberia ou não.

No dia 22 de fevereiro de 2000, eu e o pai dele brigamos feio porque ele tinha que comprar um berço bacana e acabou comprando uma prancha de surf nova. Quase tive um treco, afinal, já havia pintado sozinha todo o quartinho do Lucca, arrumado enfeites, colado estrelinhas no teto, arrumado roupinhas e todas as tranqueiras que um bebê podia precisar. Bem, depois da discussão, eu passei a ter contrações. O resto já contei aqui no início do texto.

E mesmo enfrentando tantas dificuldades nessa primeira década do meu filho (fiquei solteira, o pai dele o registrou mas nunca foi um pai de fato, enfrentei desemprego, fiquei doente, ele ficou doente, etc.) uma coisa me chamou atenção - essas malucas aqui do blog nunca nos deixaram sozinhos. Aliás, a Diana e a Juliana (carinhosamente apelidada de Mané pelo Lucca) estiveram presentes em momentos únicos.

Outras pessoas também fizeram a diferença ao longo desses 10 anos. Até mesmo o Zé fez a parte dele, mostrando que mais do que um pai, uma criança precisa de alguém em quem possa confiar. Adoro saber que eles são e serão grandes amigos. Sou eternamente grata a ele por dar ao Lucca o que lhe faltava.

Enfim, amanhã, quando ele abrir aqueles seus olhinhos verdes esmeralda, vou ter a certeza de que quem ganhou o presente fui eu. E foi o presente mais bonito de toda a minha vida.



Postado por Andréa (que se sente a mãe-solteira mais orgulhosa do mundo por ter um filho tão bacana como o Lucca)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma Decisão Importante


Este será o ano de muitas mudanças em minha vida. Algumas começaram no ano passado, outras estão em andamento para agora, mas todas elas são consequências das minhas decisões de seguir um novo caminho, como eu comentei aqui no ano passado.
Além dos projetos de mudar de casa, arrumar um novo emprego, estudar mais e aperfeiçoar o segundo idioma, está a decisão que é, sem dúvida, a mais importante: ter outro filho. Quando engravidei do Vinícius eu estava casada há seis meses e não foi planejado, embora, depois que soubemos que estávamos grávidos, foi muito desejado. Desde seus primeiros meses de vida eu tive certeza de que aquela era a melhor experiência que eu estava tendo, em toda a minha vida. A maternidade me despertou tantos sentidos e tantas vontades que eu nunca pensei em ter apenas um filho. E parece meio hipócrita, mas é verdade que eu nunca duvidei disso nem nas noites insones ou durante as crises de manha. O cansaço bate, é claro, mas o desejo continua. E esta vontade de dar um irmão para o meu filho é algo que venho cultivando desde meados do ano passado, quando, acredito eu, começou ser um bom período para pensar em ter outro neném em casa, já que o Vinícius acabou de completar três anos.
Acontece que, diante desta possibilidade de poder planejar e curtir a gravidez - que o meu trabalho como jornalista não me permitia - eu fico me perguntando como eu continuarei sendo mãe do Vini. Entenda: eu sou filha única, nunca vivi um relacionamento de pais com irmãos, eu não sei bem como isso vai funcionar. Eu tenho medo de não ser suficiente para o meu filho ou então, de não atender todas as necessidades de um recém-nascido. Me aparecem perguntas como: eu vou conseguir amar tanto uma outra pessoa como eu já amo o Vinícius? Eu vou ter condições psicológicas de ser uma boa mãe para duas crianças? Como eu vou fazer para que os dois entendam que são importantes para mim, sem magoar ou deixar outro de lado? Mais do que isso: eu vou conseguir cuidar de um recém-nascido sem deixar o outro de lado?
E então, em meio a todas estas perguntas, surge a dúvida: eu tenho capacidade para ser mãe de novo? Porque, me parece, que uma pessoa habilitada não ficaria se martirizando com estas dúvidas.
Eu quero, mais do que tudo, ter uma família grande, com filhos em volta da mesa, férias, Natais. Tudo aquilo que minha imensa família de solteira – eu e minha mãe – não tivemos. Mas, diante de tantas dúvidas fica o medo de fracassar. Tenho um medo enorme de decepcionar o meu filho, de não conseguir ser a mãe que eu estou sendo para ele. Tenho medo de amar diferente o neném que vai nascer, porque, me repetindo, não entendo como vou conseguir amar os dois do mesmo jeito.
Assim, diante desta decisão importante e tão mágica, eu travo e repenso. Até o fim do ano passado a ideia era engravidar no começo deste ano. Já adiei este plano para o segundo semestre. E confesso, tenho medo de continuar adiando e ser muito tarde para recomeçar.
Não adianta: por mais que eu pense em toda esta situação, só me vem uma coisa à cabeça: ser mãe é sentir culpa. É errar tentando acertar. É acertar por amor. É fazer concessões. E é estar diante do amor mais incondicional do mundo.
Tenho muito o que decidir ainda, eu sei. Temos muito o que conversar. Mas, por mais irresponsável que seja, ter uma gravidez não planejada me pareceu uma decisão bem mais fácil.


Postado por Denise Lugli

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um tapinha dói sim. E muito.



Que atire a primeira pedra a pessoa que nunca pensou: “ah, se fosse meu filho!”, quando viu uma criança fazendo escândalo em um local público. Porque a culpa é sempre dos pais, claro. Eles que não sabem conter a criança, eles que não se preocupam em educar e que, óbvio, não sentem vergonha de ver seus filhos ali, rolando no chão e pedindo por algo.
Eu pensei assim a minha vida inteira. Até ter o meu filho. Aliás, até o meu filho começar crescer e achar que tem decisões próprias. No alto dos seus dois anos e meio, vejo meu filho crescer e pedir pelas coisas que deseja e rejeitar, com veemência, quando não quer algo.
Há algum tempo achei que podia ir com o meu filho a uma grande loja de comércio popular. Íamos escolher um presente para o meu sobrinho e comprar uma lembrancinha para ele, se ele se comportasse. De acordo, entramos na loja. Eu juro por Deus que, em 10 minutos, minha vida virou um inferno. Primeiro, porque ele queria todos os brinquedos ao mesmo tempo. Segundo, porque ele não me escutava. Terceiro, porque ele começou a correr por toda a loja. E quarto, porque quando eu consegui segurá-lo, ele começou a berrar. Eu já não sabia mais o que fazer. Sentia todos os olhos da loja em cima de mim. Para não dar escândalo e tentar fazê-lo ficar quieto, cedi à sua vontade e deixei segurá-lo um brinquedo que ele queria, mesmo que na hora, no caixa, eu não levasse. Acontece que ele não queria ficar no meu colo. Ele queria andar e descobrir a loja. Hoje consigo pensar que ele estava em um mundo de maravilhas, claro, mas na hora eu só pensava: “eu vou matar este moleque!”.
Depois de um enorme corre-corre, ele entrou em um vão em que eu não cabia. E neste vão tinha uma pilha – isso mesmo, uma pilha – de carrinhos e caminhões. E o meu filho, claro, puxou um para ele. O que ele alcançava. O de baixo. Quando eu ouvi o barulho, não acreditei. Ele, assustado, saiu correndo do vão. Foi quando eu o peguei e apertei seu braço. E, com raiva, dei um tapa no bumbum. E falava, baixo, mas com raiva: “fica quieto e não chora, olha o que você fez!”. E ele, em alto e bom som, dizia: “mãe, você tá machucando eu”. Bom, não vou discorrer mais sobre este dia, porque o que veio depois é imaginável. Mais olhares em cima de mim, a vontade louca de sair da loja, a raiva, o stress.
Passado este episódio, alguns parecidos aconteceram novamente. Nada comparável, graças a Deus, mas as mesmas fugas nos corredores dos supermercados, lojas, etc. E, recentemente, ele fugiu de mim em uma loja e saiu correndo para a rua. O meu desespero foi tão grande que, ao sair correndo atrás dele, comecei pensar mil besteiras que poderiam acontecer com ele se eu não o alcançasse. Incrível como uma criança de dois anos é ágil! Quando eu o peguei, ele vira pra mim, com a maior cara de sapeca e diz: “agora é a minha vez de pegar a mamãe!”
Acontece que, mais uma vez, na hora da raiva, eu apertei seus braços, num impulso vão de fazê-lo ficar ali, perto de mim. Nestas horas eu esqueço que ele é quase um bebê e que estas atitudes não fazem nada, além de machucá-lo.
E aí, me bate uma culpa absurda. E dói muito mais em mim tudo o que eu fiz. Eu acredito que tapa não educa, machuca. Mas, na hora da raiva, ele parece ser uma opção para fazer a criança, pelo menos, parar! Já me vi abraçando meu filho e pedindo desculpas e ele, sem entender nada, me olhando e me abraçando.
Eu quero fazer direito, acertar, ser uma mãe que sabe educar uma criança. Eu tento, eu converso, eu explico e faço cara de brava quando é preciso. Mas não é sempre que tenho resultados e, muitas vezes, ele age por vontade própria. É nestas horas que eu lembro da minha mãe dizendo: “quanto mais os filhos crescem, mais difícil fica criar”. Tenho medo de não estar conseguindo educar meu filho e de estar agindo errado quando digo não ou sim para as coisas. Uma coisa eu aprendi: um tapa nele dói como se fossem dez em mim. E por causa disso vou fazer tudo o que eu puder para que este seja o último recurso a qual eu tenha que recorrer.




Postado por Denise

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Amor Dói


Meu filho acordou às 2h da manhã para mamar. Uma situação típica de todas as noites que pode ter uma variação de 30 minutos a uma hora, mas que sempre acontece. Enfim, seria mais uma ação da rotina que estou vivendo há 2 anos e 3 meses. Mas não foi. Porque quando ele acordou eu também estava acordada. E ao ouvi-lo dizer o primeiro “mamãe”, com sono e chorando, eu dei um pulo e peguei logo a mamadeira. E, num gesto que não faço há tempos – por sono, cansaço ou costume – eu decidi dar de mamar com ele em meu colo. Eu o peguei em meus braços, e, como se ele fosse um bebezinho, eu comecei embalá-lo enquanto ele segurava a mamadeira. Por alguns segundos eu fiquei ali, contemplando a minha cria e mais uma vez me perguntando como pode uma pessoinha assim, tão pequena, ocupar um lugar tão maravilhoso na minha vida.
E foi ai, em uma fração de segundos, que as coisas não continuaram como costumavam ser. Ele começou se debater. Resmungar. Se mexer mesmo. E então eu percebi que o meu bebê estava incomodado. Ele não queria mamar no meu colo. Ele não queria ser embalado. Ele queria, simplesmente, matar a fome da madrugada. E para isso bastava uma mamadeira bem feitinha. E não um colo de mãe.
Então eu o coloquei de volta em sua caminha e fiquei olhando, para confirmar se era isso mesmo. E era. Ele ficou quietinho, de olhos fechados, mamando. E quando terminou, esticou o bracinho pra mim, murmurou um “cabô”, pegou a chupeta, virou de lado e voltou a dormir. Eu fiquei olhando para aquela cena e comecei a me perguntar quando isso aconteceu. Quando foi que ele começou a crescer que eu não vi? Aonde eu estava neste dia?
É frase feita que para todas as mães os filhos são eternas crianças. E é frase feita também aquela do “aproveite agora porque logo ele que não vai querer sair com você”. Mas usando outro clichê, é verdade que só depois que a gente é mãe é que entende.
Meu filho tem apenas 2 anos e 3 meses. Usa fraldas, fala de tudo mas enrola as palavras, não sabe ler, escrever, tampouco come sozinho sem fazer sujeira. Ele não sabe nem ir sozinho para a cama! Mas ele já sabe que não precisa do meu colo para dormir. E sabe também que eu posso ser útil dando-lhe uma mamadeira. Ele já sabe usar o poder de filho. Ele já sabe que as pessoas – principalmente seus pais – têm uma função. E a minha era a de saciar sua fome para que ele pudesse dormir em paz. Nada de afagos, nada de carinho. Quem sabe em uma outra hora, quando não atrapalhasse seu sono?
E foi com este episódio que eu entendi, de uma vez por todas, que é verdade que a gente cria filho pro mundo. Dá um orgulho danado saber que aquela coisinha linda, que dorme tão lindo, fazendo biquinho, é meu filho, uma parte de mim, continuidade da minha vida e do meu amor pelo meu marido. Mas também dói muito saber que ele não vai precisar de mim pra sempre. Logo ele não usará mais fraldas. E saberá pegar seu leite. Depois, vai me pedir pra dormir na casa da vó, do amigo, da namorada. E depois, não vai me pedir mais. E depois vai se mudar. E então, eu que vou pedir para ele vir me visitar. Eu que vou pedir sua companhia. Quem sabe não peça para que ele durma na minha cama, entre seu pai e sua mãe, pelo menos mais uma vez?

Ser mãe é uma dor gostosa.

Postado por Denise

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Meu Pai, Meu Herói



Eu lembro como se fosse hoje. Ele e minha mãe estavam na sala do nosso apartamento, discutindo. Eles falavam alto. Meu pai virou as costas e foi pro quarto. Minha mãe sentou no sofá e chorou. Eu tinha 2 anos e meio. E segui meu pai. Lembro dele mexendo no guarda-roupa e chorando. Lembro dele passando a mão na minha cabeça. Depois disso, branco total.
Logo após me surge uma outra memória: minha mãe me pegou no colo e me colocou no carro da tia Cristina. Se não me engano, era o mesmo Chevette marrom que ela teve até quase os meus dez anos. No carro também tinham umas malas, umas panelas. Lembro também que tinham umas tábuas. Tinha um outro carro conosco. Da cunhada da tia Cristina. No dela, estava o fogão da minha casa. E mais tábuas, que hoje acho que eram da minha cômoda e berço. Lembro que chegamos à casa da minha avó e tiramos tudo do carro. Eu estava prestes a fazer 4 anos. Só sai desta casa aos 24 anos, no dia do meu casamento.
No intervalo destes 20 anos, posso dizer que vi o meu pai umas 20 vezes, uma por ano. Talvez esteja sendo injusta, porque lembro das férias em que fui à casa dele. Mas as ausências posteriores compensam aqueles dias em que passei lá. Eu devia ter uns 5 ou 6 anos quando ele mudou pro Rio de Janeiro. E, se perto ele já fazia questão de não estar perto da família que ele formou, longe, o pretexto foi garantido.
Por muito tempo eu nem senti a falta dele. Como é que se sente falta de algo que não está acostumada? Também tinha os meus tios, que, ainda solteiros, moravam na casa da minha avó e eram a figura masculina para mim. Sem contar o meu avô, que me dava “banho roxo” quando eu estava com catapora, me levava para a escola e via desenho comigo. Foi meu avô quem tirou as rodinhas da minha bicicleta. Foi ele quem me ensinou a comer jabuticaba. Uma criança de 7 anos não está pensando que o pai está ausente.
Mas a menina foi crescendo. E a adolescente foi percebendo que faltava uma referência, um pai por perto. Alguém com quem pudesse pedir uma nova permissão quando a minha mãe dizia não. Aquele pai que buscava ou levava à escola. Aquele pai que olhava para a filha e via um xodó. Igual ao pai das minhas amigas.
E foi ai, que em meio a um monte de mulheres que ele me apresentou, eu, aos 12 anos, conheci a nova. Bonita, bem vestida, tentando ser legal. Ela também tinha uma filha que, na época, tinha 4 anos. A mesma idade que eu tinha quando o meu pai se separou da minha mãe. E esta menina estava na casa do meu pai. Ocupando um lugar que era meu. E tudo aquilo que ele não me viu crescer, ele viu nela. Eu ficava me remoendo pensando em quantas vezes ele deve tê-la levado à escola. Quantas vezes ele a pegou no colo no sofá e a colocou para dormir na cama. Quantas vezes ele deve tê-la mandando escovar os dentes. Quantas lembrancinhas de dia dos pais ela deve ter feito para ele na escola.
Eu pensava nestas coisas dia e noite. Me remoía de ciúme, de angústia, de raiva. Ela tinha o pai dela e estava usando o meu. E nos poucos dias em que eu passava nas férias lá, eu confirmava o que eu já sabia e ficava mal. Achava melhor não ter ido.
E foi assim que eu fui me afastando dele. Se ele não precisava de mim, eu também não ia precisar dele. Eu fiquei nove anos sem ver a mulher dele. Nove anos sem ver a filha dela. Nove anos vendo o meu pai apenas no Natal, quando ele vinha à São Paulo. Foi um período muito difícil para mim. Eu chorei muito, fiquei muito amarga em relação a isso. Eu sentia falta do meu pai. Na verdade, eu sentia falta de um pai, de ter alguém ali. E fazia cartas que nunca mandei para ele. Cartas em que eu escrevia tudo isso. Mandei algumas também, que resultaram em mais discussão. E mais afastamento.
Anos depois eu estava de casamento marcado. Era o mês de abril e o casamento seria em outubro. Eu precisava comunicar ao meu pai. Eu queria saber se ele queria entrar comigo na igreja. Em junho eu fui à casa dele. Quase dez anos depois da última vez em que estive lá. Fui apreensiva a viagem toda, pensando em como seria horrível, em tudo o que ia acontecer. Preparei até o Leandro para isso, para que ele não se espantasse com o que visse. E foi ai que tudo aconteceu diferente. Meu pai estava lá nos esperando. Junto com a mulher dele. Eles sorriam e nos esperavam ansiosos também. E a filha dela também queria nos ver. A viagem foi maravilhosa, meu pai foi excelente. E eu voltei a me apaixonar por ele. Pela mulher dele e pela filha dela também. A filha dela que é filha dele e hoje eu também a chamo de minha irmã.
Eu precisei crescer e casar para perceber que não é que o meu pai não me ama, não é que ele não liga para mim. Ele é apenas diferente de mim, a vida dele é diferente da minha. Hoje eu entendo que ele não pode me dar, emocionalmente, tudo o que eu quero, mas eu aceito o que ele consegue me transmitir. Eu sinto falta dele, mas hoje eu posso ligar e matar as saudades.
Hoje, ele e a mulher dele podem vir à minha casa. E eu adoro que eles venham. Ela é uma avó para meu filho, assim como a filha dela, minha irmã, é a tia do Vini. E só hoje eu percebo quanto tempo eu perdi sem o meu pai. E o quanto ele é importante na minha vida. O meu pai não é um exemplo de pai presente, pai-herói que a gente vê e ouve por ai. Muito pelo contrário, ele nunca me deu uma bronca, tampouco viu meu boletim. Mas ele chorou como criança quando entrou comigo na igreja e tremia de emoção quando segurou o neto pela primeira vez no colo.
O meu pai significa para mim que a vida pode ser recomeçada sempre. Que a gente pode rever os sentimentos e pode começar olhar para as coisas sem pré-conceito. Do modo dele, ele queria estar ao meu lado. Do meu modo, eu não via isso.
Para voltar a amar meu pai eu precisei parar para pensar em como ele é. Eu precisei me reavaliar. E eu tenho certeza que para me amar ele também fez isso. Ele não é, ainda, o pai que eu gostaria que o Leandro fosse para o Vinícius. Mas ele já está muito perto de ser, para mim, o pai que eu sempre quis ter.
O meu pai distante. O meu pai-herói.


Postado por Denise