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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um tapinha dói sim. E muito.



Que atire a primeira pedra a pessoa que nunca pensou: “ah, se fosse meu filho!”, quando viu uma criança fazendo escândalo em um local público. Porque a culpa é sempre dos pais, claro. Eles que não sabem conter a criança, eles que não se preocupam em educar e que, óbvio, não sentem vergonha de ver seus filhos ali, rolando no chão e pedindo por algo.
Eu pensei assim a minha vida inteira. Até ter o meu filho. Aliás, até o meu filho começar crescer e achar que tem decisões próprias. No alto dos seus dois anos e meio, vejo meu filho crescer e pedir pelas coisas que deseja e rejeitar, com veemência, quando não quer algo.
Há algum tempo achei que podia ir com o meu filho a uma grande loja de comércio popular. Íamos escolher um presente para o meu sobrinho e comprar uma lembrancinha para ele, se ele se comportasse. De acordo, entramos na loja. Eu juro por Deus que, em 10 minutos, minha vida virou um inferno. Primeiro, porque ele queria todos os brinquedos ao mesmo tempo. Segundo, porque ele não me escutava. Terceiro, porque ele começou a correr por toda a loja. E quarto, porque quando eu consegui segurá-lo, ele começou a berrar. Eu já não sabia mais o que fazer. Sentia todos os olhos da loja em cima de mim. Para não dar escândalo e tentar fazê-lo ficar quieto, cedi à sua vontade e deixei segurá-lo um brinquedo que ele queria, mesmo que na hora, no caixa, eu não levasse. Acontece que ele não queria ficar no meu colo. Ele queria andar e descobrir a loja. Hoje consigo pensar que ele estava em um mundo de maravilhas, claro, mas na hora eu só pensava: “eu vou matar este moleque!”.
Depois de um enorme corre-corre, ele entrou em um vão em que eu não cabia. E neste vão tinha uma pilha – isso mesmo, uma pilha – de carrinhos e caminhões. E o meu filho, claro, puxou um para ele. O que ele alcançava. O de baixo. Quando eu ouvi o barulho, não acreditei. Ele, assustado, saiu correndo do vão. Foi quando eu o peguei e apertei seu braço. E, com raiva, dei um tapa no bumbum. E falava, baixo, mas com raiva: “fica quieto e não chora, olha o que você fez!”. E ele, em alto e bom som, dizia: “mãe, você tá machucando eu”. Bom, não vou discorrer mais sobre este dia, porque o que veio depois é imaginável. Mais olhares em cima de mim, a vontade louca de sair da loja, a raiva, o stress.
Passado este episódio, alguns parecidos aconteceram novamente. Nada comparável, graças a Deus, mas as mesmas fugas nos corredores dos supermercados, lojas, etc. E, recentemente, ele fugiu de mim em uma loja e saiu correndo para a rua. O meu desespero foi tão grande que, ao sair correndo atrás dele, comecei pensar mil besteiras que poderiam acontecer com ele se eu não o alcançasse. Incrível como uma criança de dois anos é ágil! Quando eu o peguei, ele vira pra mim, com a maior cara de sapeca e diz: “agora é a minha vez de pegar a mamãe!”
Acontece que, mais uma vez, na hora da raiva, eu apertei seus braços, num impulso vão de fazê-lo ficar ali, perto de mim. Nestas horas eu esqueço que ele é quase um bebê e que estas atitudes não fazem nada, além de machucá-lo.
E aí, me bate uma culpa absurda. E dói muito mais em mim tudo o que eu fiz. Eu acredito que tapa não educa, machuca. Mas, na hora da raiva, ele parece ser uma opção para fazer a criança, pelo menos, parar! Já me vi abraçando meu filho e pedindo desculpas e ele, sem entender nada, me olhando e me abraçando.
Eu quero fazer direito, acertar, ser uma mãe que sabe educar uma criança. Eu tento, eu converso, eu explico e faço cara de brava quando é preciso. Mas não é sempre que tenho resultados e, muitas vezes, ele age por vontade própria. É nestas horas que eu lembro da minha mãe dizendo: “quanto mais os filhos crescem, mais difícil fica criar”. Tenho medo de não estar conseguindo educar meu filho e de estar agindo errado quando digo não ou sim para as coisas. Uma coisa eu aprendi: um tapa nele dói como se fossem dez em mim. E por causa disso vou fazer tudo o que eu puder para que este seja o último recurso a qual eu tenha que recorrer.




Postado por Denise

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Saudades do meu Passado!!!


Recordando da minha infância, lembro dos meus amigos que estudaram comigo no meu primário, da minha professora insuportável que me colocava sempre de castigo e não dava a estrelinha da semana, da minha primeira paixão (Aymone, comprava sempre balas para dar para ele), até mesmo do meu uniforme, uma sainha de pregas azul, camiseta da escola, meios brancas (que sempre uma meia estava mais curta da outra).
Das festinhas na escola, que meu pai comprava todas as rifas que eu tinha que vender, para ganhar o prêmio.

Dos almoços de domingo, com a minha avó fazendo pulenta,de avental e quando almoçava,gostava de ficar falando ou brigando que voava arroz para tudo era lado. Das tardes que brincava de professora com meu avô.
Saudade do tempo perdido, das lágrimas não derramadas, sente umas enormes saudades do meu passado feliz.

Ah!!! Como tenho saudades das nossas viagens para praia, do que nós aprontamos... Do dia que perdi o chinelo da Jú,pois,resolvi colocar.Mas só tinha um pequeno problema,a jú calça 35 e eu 37.Das nossas noites ,quando saiamos aqui em São Paulo (eu,a jú,a Di, a Mel e a Déa).E na volta era uma festa para comentar sobre a noite,os micos e a investidas....Como era divertido,sempre acontecia algo absurdo,que só poderia acontecer com a gente mesmo.

Saudades do pessoal do Mackenzie,quando chegávamos nós encontrávamos num banquinho,ficavam a turma toda lá conversando, combinando alguma coisa...Das noites que íamos jogar king na casa do carioca...Nossa,como era longe,ele se escondia....Das nossas viagens,baladas,das noite nos barzinhos com a Carlinha e com a Jú.

De quando conheci o Bob, achei a pessoa mais insuportável do mundo, que a cada dia foi me conquistando e completando o que sentia falta. Das surpresas que ele fazia para mim,das nossas risadas,dos momentos que não estávamos juntos que parecia uma eternidade.

Saudades do meu pai que me ligava todos os dias para dar bom dia e quando não tinha nada para falar, ligava só para ouvir a minha voz.

Saudades do dia do nascimento das minhas filhas Sophia e Livia, que foi o dia mais feliz da minha vida... Saudades dos primeiros sorrisos delas,quando falaram mamãe pela primeira vez..

Infelizmente nunca vamos compreender e nem definir, exatamente a palavra saudades...
Mas acho que deveria ter amado mais, falado menos... Por isto que terei saudades das minhas falhas,da minha fragilidade,do que tudo que fiz e de tudo que não fiz...

A Saudade é silenciosa, eterna e inevitável. Infeliz da pessoa que não sente saudades,é porque não viveu,não amou....E nunca terá uma história para contar.....

Postado por Gabriela

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Qual é a sua causa?


Recentemente aceitei um trabalho temporário de assessoria de imprensa numa agência de grande porte.


Mais do que uma possibilidade de voltar ao mercado, o que me chamou atenção foi o tema do trabalho - uma ação para um grande laboratório farmacêutico em torno do câncer de mama, intitulada Outubro Rosa.


A ação nada mais é do que um conjunto de eventos em diversas partes do País que levam informações às mulheres acerca desse tema, e iluminam de rosa monumentos e prédios públicos e privados (no Rio de Janeiro será o Cristo, em São Paulo, o Monumento às Bandeiras, etc...). E esse ano, o Outubro Rosa conta com o gancho da lei que obriga o SUS a realizar exames de mamografia para todas as mulheres acima dos 40 anos. Uma vitória para as quase 50 mil mulheres que serão diagnosticadas com câncer somente esse ano no Brasil.


Bem, o tema já me é familiar. Como vocês sabem, convivi com isso nos últimos cinco anos da minha vida com a Leda. Vivenciei cada dia, cada sofrimento, cada exame, diagnóstico. Vale dizer aqui que todo o calvário dela começou com um câncer de mama, diagnosticado há quase 20 anos, quando os exames para diagnósticos eram ainda imprecisos (assim como o tratamento, que não era muito eficaz).


Depois disso, passei a prestar mais atenção ao meu redor e vi quantas pessoas tem essa doença.


O caso mais recente que eu tive acesso foi uma moça - pra não dizer uma menina - linda que, no alto dos seus 26 anos, teve um câncer diagnosticado atrás do pulmão. Ela é mãe de um menino igualmente lindo, que tem apenas 8 anos de idade. O marido dela é um fofo, companheirão, paizão. E ela tem um bom humor incrível, uma força avassaladora, uma garra que eu já vi antes, numa outra pessoa tão forte quanto ela. Não consigo parar de pensar nela um minuto sequer e, assim, rebaixei meus problemas do "nível extremo" para o "nível solucionável".


E daí que parei pra pensar em tudo isso e cheguei à conclusão de que as pessoas que são diganosticadas com essa doença se dividem em dois tipos: as que não aceitam que a doença possa vencê-las, e as que não aceitam que estão com a doença. O primeiro tipo vive muito mais do que o segundo e, em muitos casos, consegue se curar. Principalmente se o câncer for diagnosticado logo no início.


Ah! Mas como saber se vou ter câncer, ou se tenho algum tumor?


A resposta é meio óbvia, mas muito real: preste atenção no seu corpo. Ele dá sinais sutis de que algo não vai bem.


No caso do câncer de mama, o autoexame é indicado para mulheres jovens, porém, quando um tumor é notado pelo toque, é que ele já tem "corpo" suficiente para causar estragos. A mamografia só funciona em mulheres mais velhas, mas pode ser feita em nós também - trintonas e vintonas - a partir de um pedido médico. Na verdade, se cuidar é o grande segredo. Mas sem "nóias", sem ficar alucinada com comida, modo de vida, etc e tal.


Por tudo isso resolvi que vou abraçar uma causa que envolva mulheres com câncer. Ainda não encontrei uma ONG ou Instituição, mas estou procurando algo que seja próximo da minha casa (por questões logísticas). O mais legal de tudo é que, dentro desta busca, ganhei um parceiro de peso: o Zé vai participar também com toda a experiência que ele tem com o assunto.


Fará bem para nós dois, para nossa alma e, principalmente, para o próximo.


E você? Qual é a sua causa?


Para saber mais, acesse: http://www.mulherconsciente.com.br/


Postado por Andréa (que já abraçou a causa do Outubro Rosa e vai pedir para seu médico uma indicação de sua primeira mamografia)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vamos Organizar a Casa????


Provavelmente, em algum momento de sua vida, você já se sentiu confuso ao chegar a uma residência. Não achava a campainha, não sabia por qual porta entrar. Batia palmas, chamava, mas ninguém atendia, embora houvesse gente em casa. Ia por um lado, voltava, tinha medo de avançar ... e se tivesse um cachorro? Realmente, algumas casas são confusas para quem chega pela primeira vez.

Mais do que facilitar a vida dos visitantes, uma casa com entrada bem localizada e em bom estado facilita também a chegada dos bons fluídos.
O Feng Shui, técnica chinesa de harmonização de ambientes, age no sentido de corrigir os pontos negativos e, principalmente, atrair energias saudáveis para um ambiente. Os próprios moradores criam energias positivas ou negativas dentro de casa, a partir de seus pensamentos, sentimentos e hábitos. Mas também podem atrair bons fluídos para dentro do lar.

Mas, por onde entrariam os tais bons fluídos? Pela porta, é claro! E para que você entenda de forma bem clara como é a filosofia do Feng Shui, vamos tratar o "Chi" - as boas energias, que trazem felicidade, saúde, prosperidade e harmonia - como um ser humano, um amigo muito querido e esperado, certo?!
A simpatia, atração, bem estar, repulsa, nojo e mal estar são sensações que afetam tanto os seres quanto o "Chi". Tudo de bom, harmonioso e saudável que você fizer em sua casa para agradar a si mesmo, aos familiares e aos amigos também estará fazendo para agradar ao "Chi".

Quando recebemos amigos muito queridos em casa, preparamos tudo com antecedência: a limpeza do ambiente, a comida, música e todas as formas de tornar a estadia deles o mais agradável possível. Na hora marcada a campainha toca, você abre a porta da frente e os recebe com os braços abertos, preparados para um forte abraço. E é exatamente assim que vamos receber nosso amigo "CHI", que sempre entra pela porta da frente de nossa casa.

Aliás, nossa casa e seus cômodos estão carregados de simbologia. A porta da frente está relacionada com a boca da casa e se existem janelas, simbolizam os olhos. Por isso as janelas devem estar sempre muito limpas, caso contrário, a sujeira e o embaçamento atrapalham a visão e busca de novos horizontes por parte dos moradores. Vidros quebrados, então, nem pensar, substitua-os assim que quebrarem. Outra dica importante é sempre usar vidros transparentes. Os moradores precisam ter uma visão clara e nítida da rua e arredores. A privacidade fica por conta das cortinas ou persianas.

Imagine agora que você vai receber um amigo muito querido ou alguém importante e cerimonioso. Quando ele chega a sua casa, a campainha não funciona.
Ele é obrigado a gritar, bater palmas ou esmurrar a porta. Desagradável, não? Quando tentar entrar terá dificuldades, porque o portão está em péssimo estado, sem pintura, com pontos de ferrugem e fora de prumo. Mas nosso amigo tem boa vontade e entra. Até chegar à porta de entrada tem de desviar de coco e urina de cachorro.
Tudo bem, ele segura a respiração e continua. Passa por um jardim mal cuidado, cheio de ervas daninhas, plantas ressequidas e abandonadas. Em meio a esse cenário, nosso amigo felizmente nem repara na pintura antiga e nas rachaduras na parede.

Você teria prazer em frequentar um lugar assim? Nem o 'CHI'. Nada o obriga a entrar em casas mal cuidadas e sujas. Limpeza e manutenção básica são vitais para atrair o 'CHI' e seus bons fluídos e dependem mais de boa vontade do que de dinheiro.

Nosso amigo 'CHI', agora vai entrar em casa. Visita importante entra pela porta da frente, certo? Nada de entrar pela cozinha ou quintal. Eu particularmente acho muito desagradável as famílias que simplesmente aposentam a porta da frente, fazendo todas as entradas pelos fundos. Afinal, as pessoas mais importantes são seus moradores e estes merecem todo respeito, carinho e honras. Mas, independente de minhas preferências pessoais, o 'CHI' acabará entrando também pelas portas dos fundos, transformando-a em porta principal, se esse for o hábito da família.

A porta principal deve estar em ótimo estado para receber nosso amigo 'CHI'. Limpeza, pintura em ordem, sem pontos de ferrugem ou madeira comida. A porta deve abrir-se com facilidade e ter as dobradiças bem lubrificadas. Nunca coloque móveis ou entulhos atrás das portas, que precisam se abrir por completo e livremente para facilitar a entrada do 'Chi'.
E por falar em porta, a maçaneta poderia ser considerada as mãos da casa. Tocar na maçaneta seria como apertar a mão do dono da casa. Um aperto de mão deve ser firme e objetivo, caloroso, sem apertar demasiadamente. O extremo oposto seria a famosa mão mole, aquele que apenas encosta a mão e não passa firmeza e personalidade. Uma maçaneta quebrada, enguiçada ou frágil demais passa essa impressão. O ideal seriam as de metal polido e com formato que transmitisse a idéia de solidez e poder de fechar a casa às influências indesejáveis.

9 Dicas para uma entrada harmoniosa:

1) Evite portas com pinturas em mal estado, com a madeira comida ou enferrujadas (no caso das de estrutura metálica). Nada de campainhas quebradas, portas emperradas e cheias de entulho que atrapalhem a livre passagem

2) As maçanetas devem estar em ótimo estado e passar a idéia de solidez

3) A entrada da casa deve ser alegre e convidativa. Plantas e flores são sempre bem vidas, desde que estejam muito bem cuidadas. Cercas vivas dão a sensação de proteção

4) Os cuidados com a porta da frente também valem para o portão e cercas. Observe também a pintura da fachada e estado geral do piso

5) A porta da frente deve ter tamanho proporcional à construção e ser sempre maior do que a porta dos fundos. O lado esquerdo é a melhor localização para uma porta de entrada, quando se está de costas para a residência. A solidez da porta também é importante, as de madeira são preferíveis às de vidro

6) O ideal é que a porta da frente sempre abra para um terreno plano e nunca para descidas ou subidas. Uma subida simboliza obstáculos e frustrações. Uma entrada no topo de uma escada é considerada positiva. Para estimular o "Chi", cultive plantas nos degraus.

7) A entrada principal deve oferecer proteção contra o mal tempo.

8) A porta da frente deve ser encontrada com facilidade, por isso o cuidado com a iluminação é muito importante. Pode ser muito positivo, também, você pintar a porta de uma cor contrastante com as laterais da casa.

9) E, para complementar, se houver espaço, coloque uma fonte de água, banheira de passarinhos ou chafariz na entrada, o elemento água está relacionado com prosperidade e sorte.

Esta semana tirei para organizar a minha casa.bom para quem me conhece há anos sabe que em matéria de organização sou péssima,apesar que dei uma melhorada.Tenho certeza que serei uma pessoa 100% organizada daqui uns tempos.Mas como pode uma pessoa organizada e estabanada ,não sei pegar um pano de prato sem bagunçar os outros,por mais que pegue com delicadeza(uma coisa que não sou...)
Mas espero que esta matéria ajude as pessoas terem uma casa mais harmoniosa...

Seja bem vindo a minha casa....

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Meu "caso" com S. Pedro


Eu já estava com a ideia pronta na cabeça sobre o que escrever hoje, tinha até feito um esquema, mentalmente, sobre como eu destrincharia o texto. Mas o dia amanheceu como ainda está agora: nesta chuva absurda. E, nem por um minuto hoje, eu olhei pela janela e vi que a chuva tinha parado. E então eu confirmei o que já me perguntava há algum tempo: é verdade, São Pedro tem sérios problemas comigo.
É que, para quem não sabe, hoje é meu aniversário (eba!!! amo fazer aniversário!!). E, como acontece há 28 anos, está chovendo nesta data. Daí você deve se perguntar: como ela sabe que estava chovendo há 28 anos, se tinha acabado de nascer? E eu te respondo: histórias que a vida conta, meu caro...
Diz minha mãe que, na terça-feira, dia 22 de setembro de 1981, ela estava na casa da minha avó quando sentiu que a bolsa estourou. Depois da correria com a única filha mulher da minha avó e primeiro neto que estava a caminho, conseguiram se organizar e levá-la para o hospital. Mas que a dificuldade aumentou ainda mais porque fazia um tempinho pra lá de chato neste dia, com uma garoa e muito frio. Eis que eu não quis nascer neste dia, enrolei a noite toda e resolvi nascer só no dia seguinte, às 7h30 da manhã, ainda de parto cesárea – o que foi um espanto para minha mãe na época. E, neste dia 23 de setembro, que marca o início da primavera, estava chovendo muito. Até pedrinhas, diz o meu pai. E foi sob esta chuva torrencial que eu nasci e é sob esta chuva que venho comemorando meus aniversários desde então.
Lembro de uma festa que minha mãe fez pra mim, nos meus 7 anos. A festinha foi na casa da minha avó, onde morávamos, e tinha um quintal enorme no fundo, onde todos os meus amigos e eu queríamos brincar e dançar com o meu novo presente: o disco da novela “Carrossel”... (ai meu Deus!!!) A ideia era todo mundo dar as mãos e pular dos banquinhos quando a música tocasse: “embarque neste carrossel...”. Mas ninguém conseguiu aproveitar a festa, que foi frustante, com todo mundo dentro de casa, na sala, ouvindo o disco, porque lá fora, S. Pedro não dava trégua. Fiquei traumatizada...
Bons anos depois, quando eu tava planejando meu casamento, disse que gostaria de casar no frio, pra maquiagem não ficar derretendo, não sair suada nas fotos, enfim, porque no inverno as pessoas ficam mais bonitas. Acontece que eu marquei meu casamento pra outubro e, óbvio, tava calor. Um dia antes do meu casamento foi tido como o dia mais quente daquele ano, pra você ter uma ideia. Então você me diz: se estava todo este calor, não choveu no seu casamento né? E eu te respondo: resposta errada!
Dia 14 de outubro de 2005 choveu. Choveu muito. Claro que não choveu durante o dia. Começou chover às 19h00, quando eu estava saindo do meu dia da noiva para ir pra igreja. Eu não tenho fotos entrando no carro alugado – e carésimo – porque não dava pra tirar foto da noiva correndo, tentando entrar no carro com o guarda-chuva. E também não tenho foto saindo do carro, na porta da igreja, porque os seguranças tiveram que me ajudar a sair do carro, com seus enormes guardas-chuva, para não molhar meu vestido e estragar meu cabelo. Eu entrei na igreja ao som da marcha nupcial e trovoadas.
Outros anos depois, quando meu filho nasceu, nem preciso dizer... Fui pra maternidade sob garoa e saí, 3 dias depois, embaixo de chuva. E no primeiro aniversário dele todo mundo chegou atrasado porque estava chovendo. No segundo, nem comento... plena sexta-feira na cidade de São Paulo, sob chuva forte.
Dizem por aí que chuva significa sorte. Em quê, eu não sei, mas dizem que é sorte. Espero que seja mesmo, porque senão, vou começar a bater um papo com São Pedro, pra ver quais são seus problemas comigo.
O que eu sei é que hoje estou comemorando mais um aniversário embaixo de chuva e com frio. Mas estou feliz porque estou aqui, ao lado das pessoas que eu realmente amo, podendo dividir este texto e minhas histórias, recebendo os parabéns e o carinho dos amigos que eu sei, são verdadeiros. Taí, acho que descobri qual é a minha sorte: poder comemorar mais um ano de vida com tantas amizades tão verdadeiras.
E que venha a chuva!

Postado por Denise (A foto acima foi tirada às 11h30 de hoje, quando eu estava tentando enxergar alguma coisa, enquanto buscava meu filho na escola).

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O amor não é uma obrigação


Parece bobagem, mas essa é a mais absoluta verdade: ninguém é obrigado a amar ninguém.

Não é porque se vive muitos anos ao lado de alguém que se tem obrigação de amar. Às vezes o amor vira amizade, às vezes é transformado num monstro carregado travestido de outros sentimentos ou fatos que não foram superados.

E isso acontece com qualquer um - homem, mulher, pais e filhos.

Bem, ao longo da nossa vida vamos acumulando tarefas e, quanto mais adultos nos tornamos, mais responsabilidades vamos adquirindo. E essas responsabilidades estão em todos os segmentos da nossa vida, seja no financeiro, seja no emocional, no profissional ou familiar.

Porém, a maior responsabilidade que uma pessoa pode ter é a educação de um filho. E essa é uma obrigação que levamos pro resto de nossas vidas. Aliás, como já escrevi aqui anteriormente, o que os nossos filhos se tornarão quando adultos depende diretamente dos exemplos e do amor que damos a eles.

E essa é a parte mais complicada da coisa.

Quando eles são pequenos, somos levados pelo instinto de "proteger", "cuidar" e "amar". Esses são fatores elementares que qualquer pai e mãe (responsáveis) têm. Conforme nossos filhotes vão crescendo, já não querem mais tanta proteção e cuidado, e acham que podem se virar sozinhos, mas continuam exigindo o amor. Quando se tornam adultos, filhos continuam como "crianças" para seus pais (ainda hoje eu ouço minha mãe perguntar para minha tia como vão as crianças, que têm 24 e 30 anos cada uma) e todo o amor e exemplo que receberam são aplicados com os próprios pais, com seus parceiros, com seus amigos e próprios filhos.

Isso é ordem natural da vida.

Porém, o que eu questiono hoje é o tom que imprimimos nesse "cuidar" e nesse "amar".

Me pego pensando - quase que diariamente - se estou abrindo espaço demais para o Lucca ou se estou mantendo a redoma de vidro. Porque meus pais me mantiveram assim até os 15 ou 16 anos: fechada para o mundo real, vivendo a realidade que eles consideravam segura para mim e insistindo de que isso era amor. Daí, quando conheci o que era, de fato, a vida, dei um milhão de cabeçadas por não ter sido preparada antes. E tomei uma infinidade de broncas, de castigos por ter errado.

Digo tudo isso porque vejo a minha situação como mãe solteira do Lucca. Eu tento prepará-lo, deixá-lo mais apto para as adversidades, para superar obstáculos. Nunca faço por ele, afinal, quem vai enfrentar o monstro nosso de cada dia é ele mesmo. E cabe dizer aqui que me dói pacas vê-lo apanhando em alguma situação - seja numa redação, que ele destesta fazer, seja num jogo que ele não se sai bem.

Não importa. Sigo acreditando muito naquele ditado que diz que a gente cria os filhos pro mundo. E se eu quero um mundo melhor, que seja por meio da educação do meu filho.

No entanto, também conheci um outro exemplo, só que nesse caso, negativo. E a vítima absoluta dessa história toda é o Zé.

Todos sabem que ele deixou sua vida própria de lado pra cuidar da sua mãe e assim o fez durante seis anos. E por quase cinco anos eu acompanhei de perto toda essa luta, por isso posso dizer que, apesar de parecer tão heróico, o ato foi resultado de um mix de amor e opressão.

Desde muito pequeno ele foi subjugado. Aliás, quem tem mais de 30 anos deve se lembrar de como era a educação - rígida, imposta, sem espaço para crianças, que eram alienadas do mundo,e na base do tapa, da chinelada.

Só que com ele a coisa foi mais pesada, tanto é que eu ouvi histórias que me deixaram estarrecidas, principalmente quando foram confirmadas por parentes, por sua mãe ou por seu irmão. Como quando ele apanhou com cinco dias de vida porque não parava de chorar e ela queria dormir. Ele tomou uma palmada na bunda com cinco dias de vida!!!

E muitas outras vezes ele voltou a apanhar porque também virou uma criança espivetada e um adolescente difícil.

Porém, ela construiu uma ligação muito forte com ele e eu acredito piamente que foi por meio do medo de ficar sozinha, afinal, ela ficou viúva muito cedo. Por isso subjugou o Zé e o fez criar uma dependência absurda. Mas, na verdade, era ela quem dependia dele pra tudo, tanto que o transformou um substituto para seu marido e, no papel de mãe, além da companhia, exigia obediência às suas ordens e o fazia acreditar que ele tinha obrigação de parar tudo por ela, já que tinha dado a vida a ele. E ele, obedecendo por ter certeza de suas obrigações, fazia tudo correndo para agradar.

No fim de todo o processo da doença dela, ele estava fazendo o trabalho da empregada: lavava, passava, cozinhava, limpava a casa toda, esfregava o chão. E a diarista, que ia semanalmente, passou a ir a cada quinzena. Ele era tratado como um empregado, um subordinado que, em troca de casa e comida, tinha tarefas a cumprir. Às vezes ela lhe dava uns afagos e lhe pedia para que nunca a abandonasse - por nada e por ninguém - porque ela nunca iria abandoná-lo.

E cada vez que eu questionava, era surpreendida com um discurso de que aquilo sim era amor entre mãe e filho. Não duvido de que ela o amava muito mesmo. Aliás, penso que esse amor absurdo foi resultado de tantas coisas tristes e pesadas que ela viveu. Por isso, tomou o Zé só para ela, como uma forma de se sentir amparada.

Quando ela morreu, ele entrou em parafuso. Não havia mais ninguém para lhe ordenar, para lhe dizer o que fazer, nem para dirigir sua vida.

Ao contrário do que todo imaginavam, ele não se libertou.

Contei toda essa história porque fiquei profundamente triste em ver como o Zé está perdido, sem saber por onde ir, de que forma começar. E porque esse é um exemplo de como a obrigação no amor pode até mesmo acabar com a vida de uma pessoa.

Que ele tem uma parcela de culpa nessa história toda, ele sabe que tem, e até já admitiu. Porém, foram quase vinte anos vivendo assim, e ninguém se despe de um fardo tão grande como esse do dia pra noite.

Ontem ele me disse que queria morrer, já que não vê mais utilidade nenhuma em sua vida, e a tristeza e saudade estão falando muito alto também. E ele chorou como uma criança de cinco anos que quer ter seus parâmetros de volta, mesmo sabendo que está tudo acabado. Não deve estar fácil a adaptação de viver sozinho, escolher sozinho, ser feliz sozinho.

E eu fiquei sem dormir, pensando em tudo isso. E cheguei à conclusão que, por mais que eu me sinta sozinha, jamais vou obrigar meu filho a estar comigo e a me amar. Porque o amor - definitivamente - não é uma obrigação.


Postado por Andréa (que apesar de tudo, ainda ama o Zé e acredita que ele vai sair dessa e construir uma vida muito feliz).

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Este Mal Necessário


Há alguns meses, quando decidi que não trabalharia mais como jornalista eu sabia que estava abrindo mão não só de manter meu networking, mas também de algo pelo qual todos nós trabalhamos: dinheiro. Eu sabia que teríamos apenas um salário em casa, que faríamos algumas concessões e que a vida ia tomar um destino um pouco mais diferente.
Eu decidi assumir este risco e me fiz acreditar que seria melhor assim. Afinal, não há bônus sem ônus e esta seria só mais uma vez, entre tantas que eu já vivi, que teria de fazer sacrifícios. E assim foi e está sendo feito.
No entanto, quanto mais o tempo passa, mais eu percebo o quanto eu sinto falta de ter minha independência, conquistada aos 17 anos. Sim, porque desde esta idade que eu não peço nada para meus pais nem para comprar um esmalte. Paguei sozinha minha faculdade, meu carro, minhas roupas, baladas e viagens. Dona do meu nariz e das minhas contas.
Quando eu decidi dar alguns passos para trás, para poder seguir em frente, eu pensei muito mas não tinha noção de que daria também tantos passos financeiramente.
Estou escrevendo tudo isso porque estes dias me vi fazendo contas com o meu marido para saber quanto teríamos até o fim do mês, quando poderíamos comprar isso ou aquilo e, principalmente, quanto vai faltar para quitarmos o mês. E me senti uma inútil olhando que tínhamos muitas despesas e que, de minha parte, não entraria nenhuma receita. Eu voltei no tempo e me senti uma criança. Quando falei isso para o meu marido ele me disse que estava agindo como uma boba, que era o dinheiro da casa e não dele ou meu. Mas alguma coisa na minha cabeça ficou martelando – uma culpa, sabe?
A impressão que eu tenho é que esta culpa me segue pelo que quer que eu faça. Quando eu trabalhava fora, me sentia culpada por não ficar em casa, não ter tempo pro meu filho e meu marido. Culpa em não me ouvir e ir atrás dos meus sonhos de mudar de profissão. Hoje, quando cedi à estas culpas, surgem novas.
Fico pensando em porque nunca está como queremos que esteja. Porque sempre tem algo que nos faz repensar momentos e decisões. Porque nem sempre estamos satisfeitos? Isso me parece muito egoísmo, tendo em comparação tantas situações que vemos por ai.
Seja como for, é cada vez mais nítido que o dinheiro, este mal necessário, pode nortear decisões, mesmo que inconscientemente. Cabe à nós lembrar quais foram nossas escolhas para não desvirtuar dos nossos objetivos. E agora, neste momento, cabe a mim parar de me culpar por tudo o que acontece. Porque só assim, talvez, eu possa voltar a dormir em paz.

Postado por Denise