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quarta-feira, 10 de março de 2010

Depois dói


Estes dias li um texto da Martha Medeiros em que ela falava sobre como estamos anestesiados diante do choque e não sentimos dor no momento. Não me lembro bem, mas ela relacionava com os lutadores de boxe, que, quando perguntados sobre a dor que sentiam na luta, dizem que na hora não doía nada, só ia doer no dia seguinte. E então ela traça um paralelo com a nossa realidade, fora dos ringues, em que a dor também só aparece depois.
Ela citou alguns exemplos que mexeram comigo, por isso, fiquei pensando no assunto. É verdade mesmo: quando o choque bate, o máximo que sentimos é a presença dele, o choque em si, mas a dor só vem depois.

Você sabe que seu namoro está por um fio. Nem você, nem ele querem mais a relação, estão estendendo por covardia, por preguiça de terminar, pelo tédio da discussão. E assim, vão levando um relacionamento morto. Mas então, quando o outro toma a decisão de romper este laço, na hora bate o alívio, mas, no dia seguinte vem ela: a dor. O que eu vou fazer agora sem aquela pessoa? Como dar os próximos passos?

Tem também aquele caso da infelicidade no emprego. A Martha falou disso. Deus e o mundo sabem que aquele não é o emprego que você deseja, que é um martírio se deslocar para lá todos os dias. Vem a demissão. Na hora você pensa: “até que enfim!” No outro dia, quando você acorda e não tem o que fazer, se sente um inútil e repensa em tudo o que foi vivido. E claro, curte sua dor.
E aquela dorzinha de raiva quando você descobre que seu ex – ou aquela arqui-inimiga – estão melhores do que você pensava. Estão felizes, com as novas escolhas e longe de você. Na hora, você diz:”que ótimo!”. Depois, na escuridão dos seus pensamentos, vem a verdade: a dor.

Em um exemplo menos intenso, quem é que nunca se matriculou na academia, decidida a resolver sua vida, seu corpo e nunca mais faltar? Então, na primeira semana vai a todas as aulas, faz as acrobacias mais malucas e acha que está recuperando todos os anos de pizza, Big Macs e batatas fritas naquela 1 hora de aula. No calor do momento, você se sente a gostosa. No outro dia, o cabelo é a única coisa que não dói. E o que é pior: a calça continua apertada.

A gente apanha o dia inteiro da vida e não percebe, porque estamos anestesiados e também acostumados com os chacoalhões. Tropeçar, cai e levantar é um processo tão comum que a gente só se dá conta dos hematomas depois, quando eles começam a roxear e, claro, a doer.

A dor só vem depois. Mas quando vem, entorpece.

Postado por Denise Lugli

PS: Se não me engano, o nome do texto da Martha Medeiros a que me refiro é “A pancada no dia seguinte”, mas não encontrei referências a ele na web. Se alguém souber o link, por favor, nos passe.

2 comentários:

Evelyn disse...

Caraca!!!
Tem tudo a ver esse texto.
Gostei do post Dê, acho que é bem isso mesmo que acontece, a gente só sente mesmo depois...

Bjos

Di Valente disse...

ótimo esse texto, a mais pura verdade !
bjs